{OGD} Capitulo 8


Ser abraçado por alguém era diferente de ser abraçado por alguém que tem interesse em te abraçar e que deseja lhe passar algum sentimento romântico. Jun Myeon se sentia extasiado em ter em seus braços aquele delta adormecido. Já se foram dois dias de pleno sexo, não importava aonde o alfa ia naquele motel, sempre havia Yi Xing atrás de si lhe abraçando e fazendo aquele gesto que tanto adorava, cheirar seu pescoço.

Banheira de hidromassagem, na mesa de estudos, nos corredores e até mesmo na lavanderia alguns andares abaixo, eram alguns lugares que ficaram marcados pela passagem daqueles dois híbridos. Porém a necessidade já se fora, Jun Myeon se sentia melhor e menos afoito. Nunca havia se sentindo daquela maneira antes, do mesmo modo precisava se aliviar sozinho e esse seria o motivo de seus cios demorarem algumas semanas para passarem. Entretanto dessa vez houve alguém com quem compartilhar suas necessidades, e por isso conseguira saná-las em três dias.

Não imaginava que ficaria preso ao corpo de alguém como Yi Xing, o tanto de vezes que transavam em um único dia lhe fazia rir de surpresa. Mas havia tanta coisa que lhe surpreendera naquelas noites, e uma delas foi a sensação estranha que sentia em tocar o delta.

Passara o cio com um rapaz que foi criado em laboratório, alguém que foi criado para viver como um hibrido e capaz de controlar suas punções. Todos os toques que recebera dele, será que foi criado junto á ele? Queria acreditar que não, haviam muitas coisas em Yi Xing, que ele aprendera apenas lhe observando naquela cápsula. Uma delas foi como se vestir.

Observando Yi Xing dormir com o rosto encostado em seu peitoral, Jun Myeon se via acariciando de seus cabelos. Eram macios de certa forma, sorria quando na noite anterior optaram por tomar banho, e o rapaz não sabia o que fazer com o shampoo, no final das contas Jun Myeon lavou os cabelos do delta, enquanto o mesmo ficava a conversar consigo. Fizeram uma imensa bagunça no banheiro, e parte disso era devido aos toques íntimos que a brincadeira rendeu.

Se pegou sorrindo com tal lembrança. Lembranças... Não poderia julgar Yi Xing por ser alguém que foi criado em laboratório, já que o próprio alfa também fora criado. A diferença era que Jun Myeon precisava tomar o restante dos medicamentos para recuperar suas lembranças.

Desviando os olhos para sua mesa bagunçada, ficou a pensar se deveria continuar com aquilo. Baseado em sua primeira lembrança, estava com medo de saber o que poderia ver em seguida.

Levantou-se com extremo cuidado para não acordar o delta, Jun Myeon seguiu até a mesa e vira a mochila com as ampolas dos remédios que havia feito. Segurando uma ampola contendo um liquido azulado, o balançou misturando os componentes, ponderando sobre suas opções.

Yi Xing despertava ao sentir o vazio na cama, sentou-se abruptamente procurando pelo alfa em sua volta, o encontrando no canto do quarto em frente á mesa. Inclinando a cabeça via que o mesmo estava segurando algo e parecia estar novamente concentrado.

Coçando a cabeça, o delta se levantou da cama indo até o alfa, o abraçando pela cintura depositando um selar em seu ombro. Jun Myeon despertava de seus devaneios e olhou para o delta sobre o ombro, recebendo um sorriso singelo do mesmo.

- O que está fazendo?

- Pensando se quero ou não ter minhas memórias de volta.

Jun Myeon erguia a ampola e mostrava ao delta que a observava intensamente. Tocou o vidro com a ponta do indicador se recordando da vez que o alfa teria desmaiado, pelo o que conversaram o motivo seria o processo de recuperação das memórias. Formando um leve bico em seus lábios passou a mirar o alfa.

- Vai sofrer daquele jeito de novo?

Demorou um pouco para que Jun Myeon entendesse á que o delta se referia, logo recordou-se de ter sentido dores de cabeça e perdido a consciência. Yi Xing teria ficado tão preocupado assim daquela vez? Por quê?

- Quero saber mais sobre a minha vida.

- Não é diferente da minha.

Sorrindo o alfa retirou a pequena tampa e bebeu o liquido. Yi Xing suspirou desgostoso, mas permanecendo abraçado ao alfa. Segurou suas mãos, já sem as faixas, e o puxou novamente para a cama desarrumada. Ambos os híbridos ainda estavam nus, mesmo assim não sentiam vergonha de permanecer daquela maneira frente um ao outro.

Yi Xing puxava o alfa para se deitar, sabia que á qualquer momento ele poderia desmaiar e por isso preferiria prevenir qualquer acidente. Pousou a cabeça de Jun Myeon no travesseiro e cobriu seu corpo as cobertas, para então fazer o mesmo e ficar de frente á ele.

- Sabe... estou me sentindo estranho com você.

O delta apertara o travesseiro enquanto prestava atenção nas palavras do alfa. Engolindo em seco esperou que dissesse algo. Antes era apenas uma coisa que deixava o delta triste, e era o fato de não receber um beijo do alfa cientista. Agora eram duas, já que Jun Myeon não ficara atado dentro de si.

- Por que? Não... me ama?

Jun Myeon surpreendera-se com a resposta do delta. Prendeu a respiração e novamente se pôs á pensar. Porém o seu silencio parecia ser convicto para Yi Xing, que baixara os olhos passando a fitar a coberta.

- E você?

Os olhos negros do delta se reergueram para fitar aquele alfa diante de si. Sua fisionomia não parecia brava, mas também não demonstrava a felicidade. Tendo o rosto avermelhado pela vergonha, apenas fez um balançar de cabeça, esticando os dedos no travesseiro para segurar os de Jun Myeon.

A conversa não seguiu em diante, as dores na cabeça do alfa retornaram e logo perdia a consciência devido o cansaço. O delta ajeitava aquele alfa em seu corpo, em um abraço possessivo, não permitindo que o mesmo fosse para longe. Iria tê-lo para si, disso Yi Xing tinha plena certeza.

A lembrança que Jun Myeon tivera parecia não ter som, apenas encarava uma luz forte em seu rosto enquanto sentia seus braços e pernas serem perfurados com algo. Mesmo que gritasse teria de aguentar aquela dor em seus membros. Alguém segurava seu corpo que se movia inconscientemente, tentando tirar das amarras em seus braços. Logo tudo voltava a ficar escuro.


Jun Myeon caminhava pelas ruas desertas, indo direto para o supermercado. Havia sido abandonado algumas semanas antes da chegada dos híbridos, devido á um ataque de alguns bandidos, isso segundo a informação que conseguiu de uma velha senhora que morava algumas quadras mais acima do mercado. Por isso a comida que havia dali deveria ser consumida nos próximos meses, e algumas pessoas iam ali para pegá-las.

Pegava os pacotes de alimento, ajeitando-os na mochila. Uma mistura de aromas se fez presente e Jun Myeon se virou para a porta da construção do mercado, encontrando alguns ômegas parados. Sua pele se arrepiou com os olhares vidrados em si, apenas enfiou o último pacote de macarrão na mochila e se preparou para ir embora. Não era o único a ficar ali para roubar as comidas, por isso precisava agir com cuidado já que não sabia quem poderia estar ali. As pessoas ômegas apenas passaram por si e seguiriam pelos corredores.

Mas elas pararam ao sentir o cheiro de Jun Myeon.

O alfa paralisara ao ouvir os murmúrios sobre seu aroma. Respirando fundo continuou a andar para fora do mercado, percebendo estar sendo seguido. Apressou os passos, passando a correr para fugir dos ômegas, subia algumas ruas cruzando prédios tentando encontrar algum lugar para poder se esconder. Logo seu braço era agarrado por alguém que o fazia correr ainda mais, em direção ao motel.

Era Yi Xing, e tê-lo consigo lhe ajudando, trouxe uma onda de alivio. Os dois correram pela rua de trás do motel, passando por um beco estreito, o delta se virava para os ômegas e soltava um rosnado alto antes de terminarem de passar o beco e entrar nos portões do prédio se trancando no hall do motel. Ofegantes da corrida, esperaram até que nenhum cheiro de ômega pudesse ser sentido.

Jun Myeon se sentava no chão jogando a mochila para longe de si, suava intensamente e seu coração parecia pular do peito. Abrindo os olhos, passou a observar o delta que olhava a janela, procurando por algum sinal de que aqueles ômegas estivessem rondando o prédio.

- Eles já se foram.

O alfa se levantou segurando a mochila, passando a seguir para as escadarias. Yi Xing o seguia, cerrando os punhos enquanto fitava as costas largas do alfa. Estava imerso em um novo sentimento, estava sentindo raiva de Jun Myeon. Quando subiram o primeiro lance de escadas, o delta segurou o ombro de Jun Myeon, fazendo-o lhe olhar.

- Por que saiu sem mim?

- O que? – Jun Myeon inclinava a cabeça levemente desentendido, porém as feições do delta não pareciam demonstrar brincadeira, ou algum sinal dela. – Eu fui buscar comida para nós.

- Deveria ter me chamado!

- Eu apenas fui pegar comida, como que eu ia saber que iriam me seguir?

O delta soltou o ombro do alfa, vê-lo de cenho cerrado sem que estivesse pensando em algo, poderia ser sinal de que também estava ficando irritado. Mesmo assim nenhum dos dois parecia dar o braço á torcer.

- Se estamos escondido é porque alguém está atrás de nós, deveria ter me chamado do mesmo jeito!

- Estamos escondidos por sua causa! – Jun Myeon esbravejara, o delta se surpreendera deixando as mãos caírem ao lado de seu corpo. – Estou passando por tudo isso, por sua causa, se não eu poderia estar trabalhando como um cara comum.

Yi Xing olhava incrédulo para o rapaz, sentia um frio em sua barriga, um sentimento de nervosismo. Assentindo apenas sorria cinicamente, passando pelo alfa sem dar continuidade á discussão. Jun Myeon observou o delta subir, soltou um suspiro pesado batendo a testa na palma da mão. Teria dito coisas desnecessárias para alguém que queria apenas a liberdade.

Seguiu o delta nas escadas e não se permitiu dizer algo, por medo de piorar a situação. Ao chegarem no quarto o alfa dedicou sua atenção nos conteúdos de sua mochila, vez ou outra olhava para Yi Xing que estava sentado no chão olhando a janela perdido em pensamentos. Teria errado em falar com ele daquela maneira, principalmente depois de tudo o que fez. Pegando um pequeno pote de chocolate, o alfa se aproximou se sentando e frente para o delta, sendo ignorado pelo mesmo.

Abriu o pote e passou o dedo sobre o chocolate, não desejando pegar um utensilio para fazer as pazes. Esticou o dedo com o chocolate e aproximou-o dos lábios do delta, que o olhava de canto.

- Coma doce, vai ajudar na sua pressão sanguínea. – O delta arqueou a sobrancelha, passando a olhar intensamente para o alfa. O mesmo soltou um suspiro derrotado pela pequena pressão – Me desculpa por antes.

Yi Xing não sorria, entretanto deixou com que o dedo de Jun Myeon entrasse em sua boca podendo comer do chocolate. A língua quente do rapaz parecia fazer uma dança sensual em seu indicador, mas o alfa não se permitiu ficar excitado naquele momento. Então aproveitou para comer também do chocolate, observou o lado de fora sem saber o que dizer para o delta. Teria se desculpado, mas seria o suficiente para ser perdoado?

O delta comia do chocolate que o alfa lhe oferecia, mantinha-se em silêncio mesmo que em sua mente houvesse um turbilhão de perguntas. Por que estava se sentindo tão mal? Anteriormente haviam duas coisas que lhe magoavam, agora seriam três?

- Por que não me ama...

O sussurro fora ouvido pelo alfa que passou a mirar Yi Xing. O mesmo tinha o olhar caído na janela, com um semblante triste. Passando a língua pelos lábios o alfa se recordara que o delta tinha feito uma pergunta como aquela no dia anterior.

- Por que você acha isso Xing?

Ouvir apenas uma parte do seu nome dado fez o delta ficar ereto e olhar imediatamente o alfa, que ruborizava ao ganhar tanta atenção. Mesmo assim, Yi Xing não se permitiu demonstrar tanta alegria em ouvir um pequeno apelido, ganho por alguém que tanto lhe chamava atenção.

- Não tocou meus lábios e não ficou atado em mim durante o cio. E agora pareceu que não queria estar comigo aqui.

Jun Myeon soltou uma risada baixa, passou o dedo no chocolate e voltou a tocar os lábios do delta fazendo-o comer mais um pouco do doce.

- Estou aqui porque eu decidi por isso. – O alfa passou o polegar no canto dos lábios do delta, onde estavam sujos de chocolate – Quanto ao nó, acho que isso é algo que eu não posso controlar, como você pode.

Yi Xing se manteve em silêncio, segurou o pote de chocolate o deixando de lado. Aproximou-se do alfa e encarou-lhe atentamente. Não tinha levado em consideração que o outro não poderia controlar seus impulsos, assim como o próprio delta.

- E quanto ao beijo?

O alfa via aquele delta se aproximar lentamente de si, piscava algumas vezes se sentindo nervoso. Não teria prestado atenção aquele pequeno detalhe, na verdade seria algo que jamais pensou. Beijar alguém era o toque intimo, mas afinal de contas já teriam passado um cio juntos. E quanto aos toques que se pegou fazendo quando dormem juntos? Deveria ser levado em consideração.

- Não sei, nunca beijei alguém.

Yi Xing se inclinava cada vez mais para perto do alfa, iriam ter dado o primeiro beijo se não fosse pelo barulho de sirenes no lado de fora. Jun Myeon olhou para a janela e vira que se aproximavam algumas viaturas da polícia da capital. Sabia que sua fuga poderia ter aquela repercussão, mas não contava em ser encontrado tão rapidamente.

O alfa fora rápido em juntar os seus pertences e puxar Yi Xing pelo braço para poderem fugir. Desceram as escadas novamente e procuravam pelas saídas de emergências. Entretanto a única coisa que se passava na mente de ambos era de despistar os policiais. Para onde iriam seguir, já seria outra história.

O barulho do portão da frente sendo batido diversas vezes, apenas fez com que os passos de ambos se apressassem. Encontrando a porta pequena de madeira pela qual usaram diversas vezes naquelas semanas, os híbridos passaram por ela dando para a rua de trás.

Olhando em volta não viram nenhuma viatura, e com isso reiniciaram a corrida para o norte, teriam de desistir do carro de Jun Myeon, tirá-lo da garagem poderia ser a chance de serem pêgos. Correndo já ofegantes cruzaram alguns prédios, e ao invés das sirenes ficarem distantes, o som delas ficava cada vez mais perto. Um dos policiais teria visto os dois correrem para aquela região, e avisado aos demais policiais.

Yi Xing olhava para trás, haviam três carros atrás de si, alguns policiais estavam com a cabeça na janela, apontando algo em sua direção. Não sabia o que seria, mas o seu extinto dizia que não era algo bom. Empurrando a cintura de Jun Myeon para o leste, passaram a correr em uma grandiosa avenida que o alfa reconhecia. Estavam sendo encurralados para a Easton.

Um som alto fora ouvido, algo penetrava a cintura do delta que caíra no chão ao sentir ardência na região. Jun Myeon parou de correr, olhou para o delta caído e sentiu o coração acelerar a batida. Os carros se aproximavam, faltaria pouco para chegarem aos prédios da Easton. Segurando Yi Xing e o erguendo do chão, pressionou a região lesada e tentou correr para longe da empresa.

De longe um homem observava tudo, estava encostado em um poste de luz esperando por algum sinal daqueles dois híbridos. Teria sido uma semana afobada para o casal de híbridos, que cercavam a Easton procurando pelo alfa e o delta, quando havia visto viaturas se aglomerarem na frente do prédio, imaginou que algo aconteceria. E estava certo.

 Senhor Oh os avistou e foi de encontro a eles, percebendo que um dos policias já miravam para o alfa. Era uma intensa correria, Jun Myeon reconheceu o senhor Oh correr em sua direção. Antes que tomasse alguma decisão, optou por averiguar quão perto estavam os policiais, percebendo que a arma já estava mirada, resolvera por um ato.

Juntando a energia que tinha para os seus braços, jogara o corpo do delta para o senhor Oh, que já estava perto o suficiente para agarrá-lo e erguê-lo em seu ombro. Os dois homens voltaram a correr em direção á plantação de milho que cerva a rodovia ao oeste da Easton. A plantação estava alta o suficiente para escondê-los, senhor Oh e Yi Xing ferido, foram os primeiros á adentrarem e sumirem do campo de visão dos policias fardados.

Entretanto o alfa ainda corria para alcança-los. Não desejando perder o alvo de vista, um dos policiais atirou duas vezes seguidas, atingindo o alfa que caíra no chão de imediato. A respiração ardia, não conseguia mover suas pernas e seus braços para se levantar. Olhar diante de si os dois passos que daria para a plantação, onde poderia fugir lhe fazia ordenar para que suas pernas funcionassem.

Senhor Oh percebia que não estava sendo seguido. O delta em seu ombro estava em choque devido á ferida em sua cintura. Sentando o rapaz no chão e arrancando alguns milhos para fazer trilha, o pesquisador voltava o seu caminho á procura do alfa.

Logo o encontrara deitado no asfalto, sendo segurado por um dos policiais enquanto outros dois seguravam armas miradas em Jun Myeon. Respirando fundo, tentou pensar em algo que pudesse distrair os policiais. A única que se passou em mente fora pegar uma pedra e jogá-la para longe dentro da plantação, o que resultou em apenas dois guardas irem averiguar com cautela.

- Pelo menos eu lido com um.

Saindo da plantação, fora até o outro policial que segurava o alfa. Ficando atrás dele, passou o braço em seu pescoço o puxando para trás, fazendo com que soltasse do alfa que caíra no chão novamente. Movendo o braço o pesquisador conseguira torcer o pescoço do policial. Rapidamente segurou Jun Myeon e o levou para dentro da plantação, antes que os dois policiais os vissem.

- Aish, onde estou me metendo.

Senhor Oh correra seguindo sua trilha, alguns segundos seguintes encontrara o delta que se levantou de imediato ao ver o alfa ferido. Com aqueles dois híbridos feridos, o pesquisador fizera força para segurá-los e guia-los entre a plantação. As sirenes ficavam distantes, mas não significava que haviam despistados os policias.

Alguns minutos depois conseguira chegar em outra rodovia, onde estava parado o carro de senhor Oh e sua esposa o esperando no lado de fora. Ao reconhecer o marido, a mulher de cabelos castanhos ondulados fora ajuda-lo a levar os rapazes para dentro do automóvel.

- Está ferido também?

- Não, eu estou bem. Faça curativo neles enquanto eu dirijo.

O companheirismo do casal era impecável. A mulher se sentou no banco traseiro, entre os dois híbridos. O delta não deixava de olhar para Jun Myeon que estava desacordado. Senhor Oh entrou no carro e logo segui a rodovia que dava para a saída da capital. Teria sido um plano absurdo, porém a sua esposa lhe ajudara a arquiteta-lo quando o marido demonstrou seu interesse em ajudar os híbridos. Era uma boa ação.

A mulher erguia a camisa de Jun Myeon observando as feridas, ele teria sido atingindo no peito e no abdômen. Pressionando as feridas para estancar do sangramento, a mulher olhava para o delta que parecia chorar á qualquer instante.

- Me ajude meu jovem. – Dizia a mulher, senhora Oh como deveria ser chamada. Yi Xing a olhou e limpou seu rosto com as mãos trêmulas. – Quero que pressione as feridas dele.

- Desinfete a ferida dele primeiro – Senhor Oh seguia a rodovia, olhando vez ou outra pelo retrovisor. De prontidão sua esposa procurou pela maleta que haviam trazido, procurou pelo soro e logo começava pela ferida no peito. – Limpe o sangue e tente ver onde está a bala.

Seguindo as instruções do marido, a senhora Oh fazia os procedimentos com cautela. Yi Xing não conseguia tirar os olhos do rosto de Jun Myeon, não sentia o seu cheiro, o coração batia cada vez mais fraco. Apertava a mão na ferida do abdômen do alfa, mesmo que sua cintura também estivesse doendo. Deixando o alfa sob os cuidados dela, o delta tivera de fazer o próprio curativo, enquanto ouvia as instruções daquela mulher.

Estava tudo afobado, que senhor Oh tinha de tomar cuidado. Dividia sua atenção para a rodovia e para o que ocorria no banco traseiro. Quando averiguou estar afastado o suficiente da cidade capital, o pesquisador saiu do carro e fora no banco traseiro, examinar o delta. Abrindo o porta malas retirando alguns materiais que resolvera trazer, pensando em várias hipóteses sobre qual a situação encontraria aqueles híbridos. Uma bolsa de soro fora colocada no colo de Yi Xing.

- Vou colocar isso em você – Sussurrava o pesquisador. – Espero que se sinta melhor, projeto YX.

- Yi Xing. – Sussurrava o delta em resposta. Doutor Oh ergueu os olhos para encarar aquele delta que parecia falar tão bem – Jun me deu nome, e é Yi Xing.

- Claro.

Colocando a agulha na veia do delta e conectando com o soro, logo o pesquisador começara a examinar o alfa. Não tinha nenhum aparelho que pudesse medir com precisão aquele corpo, teria apenas o básico para cumprir de uma consulta rápida. O que conseguia ouvir de seus batimentos cardíacos, o que conseguiu medir com o estetoscópio fora que o seu coração estava batendo devagar. Pegando uma máscara de oxigênio com reservatório, pedira para que a mulher apertasse a bolsa, para gerar o ar necessário. Rapidamente colocou o soro via intravenosa para que pudesse voltar á dirigir rapidamente.

- Para onde vai leva-los?

A mulher sussurrava enquanto apertava a bolsa. Pelo retrovisor conseguia ver o cenho cerrado do marido. Soltou uma risada baixa sabendo que ele estaria pensando em algo, provavelmente algo absurdo. Mas confiava nele, sabia que no final das contas suas decisões eram certas.
- Mugogi.

A voz grossa surpreendera a mulher, que se ajeitava no banco traseiro.

- A cidade dos betas?

- Lá eles serão bem cuidados e protegidos. Ninguém os encontrarão lá.

Soltando um suspiro e assentindo, o casal se concentrava em salvar as vidas dos híbridos. Enquanto eles conversavam sobre a rota de fuga, Yi Xing esticava as mãos por trás da senhora Oh, conseguindo alcançar a mão direita de Jun Myeon. Entrelaçando os dedos, o delta fechava os olhos lentamente, sem soltar-se do alfa amado.

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